
...Ossa et Cinera...
Rumba dos Inadaptados (Ou A Morte do Jovem Contribuinte)No quarto impecável, ao lado do corpo, a carta, com um último artigo a sair no jornal de Domingo, no correio dos leitores, dizia assim: "Sou jovem. Honesto, estudante. Trabalho, sou pago: eu pago os impostos, as letras, os juros, da casa, dos móveis, dos livros na estante, dos discos, dos filmes: Que hei-de fazer? Eu vou ao cinema, eu leio poemas, gosto de ler! Eu voto, eu escolho, eu olho nos olhos dos casos, dos factos, das coisas concretas: Eu não tomo drogas, não sou alcoólico! Eu estou preocupado e um pouco dorido ao ver que em várias revistas adultos, ministros, artistas, nas entrevistas da tv, demonstram que os jovens são brutos, boémios, incultos, autistas, não têm emprego, ou são arrivistas e mal educados: são tão depressivos, são tão destrutivos, que hei-de fazer? Com 23 anos já não faço planos: para quê fazer? Eu vivo da esperança na vaga mudança que nunca vai acontecer: Eu não tomo drogas, não sou alcoólico!" João Paulo Simões (Quinteto Tati)
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lentamente o tempo de tempestade surge detrás das cortinas,
no calor que a terra anuncia nesses afrontamentos de menopausa
precoce, o tempo de tempestade que afasta os pássaros em
movimentos teleguiados de controlo remoto,
de carro a pilhas movido por cordas e roldanas e díodos de luz.
aos díodos de luz chamemos de LEDs, é este o seu nome
técnico e voltemos ao tempo de tempestade que as cortinas
deixam já antever, por entre também um certo céu rubro,
alaranjado, mecânico no seu vago acto de esconder o sol
numa penumbra desértica.
lentamente
o tempo de
tempestade surge por entre o chilrear dos pássaros
num susto de frutos e de flores volantes e vivas de cores e sabores
alheios aos homens. são talvez os relâmpagos que o chilrear dos pássaros
corta em pequenas fatias de luz,
frutos celestes mas ao mesmo tempo tão térreos como
as árvores e os prédios,
abatendo-se sobre as árvores e sobre os prédios,
os edifícios ofuscantes de deus ou outra ideia divina qualquer
(chamemos-lhe LEDs, é este o seu nome
técnico)
Posted at 01:05 am by groze
 |  |  | Amélia October 20, 2005 08:48 AM PDT
msesmo tardiamente, venho dizer que me agradou muito este teu poema.Continua a prsentear-nos assim.Beijo |  |
  |  |  | Soledade July 30, 2005 03:43 AM PDT
Pedro, desculpa, troquei os nomes, não os poetas. Nem os santos :)Beijo |  |
  |  |  | groze July 25, 2005 03:49 PM PDT
* PEDRO, não Paulo... os Santos são no mesmo dia, mas há ainda assim ligeiras diferenças... |  |
  |  |  | Soledade July 23, 2005 11:55 AM PDT
Paulo, que belo poema! O cruzamento do universo da banda desenhada com o da tecnologia e com o tradicional material lírico e mítico. Tens imagens, no poema, de um fulgor, de uma capacidade sugestiva! E uma melodia que nos agarra. Excelente, na minha opião. E de uma modernidade poética!
Ah, tempo da tempestade está já sobre nós. |  |
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