...Ossa et Cinera...







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Rumba dos Inadaptados
(Ou A Morte do Jovem Contribuinte)


No quarto impecável, ao lado do corpo, a carta, com um último artigo a sair no jornal de Domingo, no correio dos leitores, dizia assim: "Sou jovem. Honesto, estudante. Trabalho, sou pago: eu pago os impostos, as letras, os juros, da casa, dos móveis, dos livros na estante, dos discos, dos filmes: Que hei-de fazer? Eu vou ao cinema, eu leio poemas, gosto de ler! Eu voto, eu escolho, eu olho nos olhos dos casos, dos factos, das coisas concretas: Eu não tomo drogas, não sou alcoólico! Eu estou preocupado e um pouco dorido ao ver que em várias revistas adultos, ministros, artistas, nas entrevistas da tv, demonstram que os jovens são brutos, boémios, incultos, autistas, não têm emprego, ou são arrivistas e mal educados: são tão depressivos, são tão destrutivos, que hei-de fazer? Com 23 anos já não faço planos: para quê fazer? Eu vivo da esperança na vaga mudança que nunca vai acontecer: Eu não tomo drogas, não sou alcoólico!"

João Paulo Simões
(Quinteto Tati)




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Monday, September 26, 2005
city of apostates
largo o carro numa colina qualquer, como se me quisesse desfazer dos seus cheiros e do dinheiro que gastei sobretudo em combustível e dentro do carro largo todos os documentos que me reconhecem
cidadão
de algum lugar. da colina avisto a cidade e o carro avança desocupado pela encosta em direcção a lugar nenhum. desocupado e no entanto cheio de mim enquanto cidadão de um sítio qualquer e de uma série de memórias pela encosta, rolando com alguma velocidade de encontro a um sítio de escombros e sombras de nada.
a cidade está vazia de tudo e de pessoas também. está vazia. é um templo deserto de estátuas e emoções que nunca se desenvolveram para lá de umas luzes estranhas sobre as portas dos bares, quando anoitece. todos os corpos na cidade são como gárgulas nas janelas dos prédios, anunciando aos carros que resvalam desocupados de tudo pelas encostas da colina em direcção a um pomar de esquecimentos e de álcool etílico ou não quais os benefícios do sono e do esquecimento
e de dentro do álcool os carros desocupados observam o
cidadão
de algum lugar a nascer de novo e a passar por gabinetes e guichets e notários e cartórios em busca de papéis que o definam novamente enquanto
Eu
maiusculado.

Posted at 04:02 pm by groze

 

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