
...Ossa et Cinera...
Rumba dos Inadaptados (Ou A Morte do Jovem Contribuinte)No quarto impecável, ao lado do corpo, a carta, com um último artigo a sair no jornal de Domingo, no correio dos leitores, dizia assim: "Sou jovem. Honesto, estudante. Trabalho, sou pago: eu pago os impostos, as letras, os juros, da casa, dos móveis, dos livros na estante, dos discos, dos filmes: Que hei-de fazer? Eu vou ao cinema, eu leio poemas, gosto de ler! Eu voto, eu escolho, eu olho nos olhos dos casos, dos factos, das coisas concretas: Eu não tomo drogas, não sou alcoólico! Eu estou preocupado e um pouco dorido ao ver que em várias revistas adultos, ministros, artistas, nas entrevistas da tv, demonstram que os jovens são brutos, boémios, incultos, autistas, não têm emprego, ou são arrivistas e mal educados: são tão depressivos, são tão destrutivos, que hei-de fazer? Com 23 anos já não faço planos: para quê fazer? Eu vivo da esperança na vaga mudança que nunca vai acontecer: Eu não tomo drogas, não sou alcoólico!" João Paulo Simões (Quinteto Tati)
Outros Espaços: A Caixaarco-írisAtravessando o Inverno (Astrophil) chuva diluvianaBorderline (§j§) conFusão (groze e amaagari) dawning dusk (sete-sóis) é o diaboespiral (§j§) exanimatus (groze) lonely gigolo (groze) nocturno com gatossaliva (Astrophil) scorpionica[MyLostWords]
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Tuesday, September 27, 2005 |
a um estranho desconhecido
ocorre-me, por exemplo, Herberto Helder
Passeiam pela rua mastigando a língua e sobre a língua uma colher lembrando as estações do ano que passam umas sobre as outras e logo sobre a língua mal seja o tempo de as estações passarem sobre a língua mastigada que passeia pelas ruas olhando estátuas em jardins que olham de volta e depois novamente para as estações a crescer nos seus umbigos de gesso.
Passeiam pelas estações mastigando a colher na boca e na língua e olham a cidade que devolve os olhares das estátuas de gesso nos umbigos dos parques e nas malas de mão das senhoras que leram demasiadas peças de teatro fechadas num apartamento sem nunca terem visto contudo viram os que passam pelas ruas mastigando as estações e entre as estações uma colher sobre os dentes, lembrando línguas e entre essas línguas outras olham de volta e depois novamente para os dentes das estações que passam umas sobre as outras.
Mal seja o tempo de se ceifar as línguas e de as colheres na boca saberem a metal e a olhos escuros e fundos de estações de comboio.
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