
...Ossa et Cinera...
Rumba dos Inadaptados (Ou A Morte do Jovem Contribuinte)No quarto impecável, ao lado do corpo, a carta, com um último artigo a sair no jornal de Domingo, no correio dos leitores, dizia assim: "Sou jovem. Honesto, estudante. Trabalho, sou pago: eu pago os impostos, as letras, os juros, da casa, dos móveis, dos livros na estante, dos discos, dos filmes: Que hei-de fazer? Eu vou ao cinema, eu leio poemas, gosto de ler! Eu voto, eu escolho, eu olho nos olhos dos casos, dos factos, das coisas concretas: Eu não tomo drogas, não sou alcoólico! Eu estou preocupado e um pouco dorido ao ver que em várias revistas adultos, ministros, artistas, nas entrevistas da tv, demonstram que os jovens são brutos, boémios, incultos, autistas, não têm emprego, ou são arrivistas e mal educados: são tão depressivos, são tão destrutivos, que hei-de fazer? Com 23 anos já não faço planos: para quê fazer? Eu vivo da esperança na vaga mudança que nunca vai acontecer: Eu não tomo drogas, não sou alcoólico!" João Paulo Simões (Quinteto Tati)
Outros Espaços: A Caixaarco-írisAtravessando o Inverno (Astrophil) chuva diluvianaBorderline (§j§) conFusão (groze e amaagari) dawning dusk (sete-sóis) é o diaboespiral (§j§) exanimatus (groze) lonely gigolo (groze) nocturno com gatossaliva (Astrophil) scorpionica[MyLostWords]
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Tuesday, October 11, 2005 |
No tempo em que brincávamos entre as trevas
Era esse o momento
de uma brisa inesperada
de uma oscilação repentina na órbita circular
dos corpos
porque tu falavas a voz grave
de outros homens eternamente tristes
que não eram eu
nem tu
mas que nos consumiam
como se de facto existissem em nós
porque também na minha boca
faltavam palavras
exactas
coerentes
quando construía frases soltas que pretendiam dizer
não sei o quê
talvez absolutamente nada
mas e enfim
que haveria eu de responder
à falta de objectividade
ao absurdo
se brincávamos entre as trevas em ascensão
de uma ou outra distopia
se nos intervalos mínimos desse jogo colectivo
continuava o ruído
continuava a quebra de sentido
e a facilidade de uma brisa
inesperada.
Posted at 01:13 pm by Astrophel
 |  |  | mb October 15, 2005 11:37 PM PDT
Até que enfim, habemus poeta de novo. É preciso ter fé para se clicar "cem" vezes à procura de um poema como este, na certeza de que surgirá. O pousio dá poemas bons, e este, folgado (também de fôlego), na sua melhor forma. |  |
  |  |  | Sara do colar poderoso October 12, 2005 06:16 PM PDT
Gostei muito. Não, gostei bastante. Aliás, gostei mesmo imenso.
Vou continuar atenta, nesta minha descoberta de todos e cada um de voçês. |  |
  |  |  | Soledade October 11, 2005 09:32 PM PDT
Que bom voltar a ler-te, Paulo. |  |
  |  |  | Ln October 11, 2005 05:38 PM PDT
Gosto muito de te ler...Gosto deste "momento/de uma brisa inesperada" que provoca uma agradável "oscilação repentina" na minha rotina. (Rima!!!!) :) *()* |  |
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