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Rumba dos Inadaptados
(Ou A Morte do Jovem Contribuinte)


No quarto impecável, ao lado do corpo, a carta, com um último artigo a sair no jornal de Domingo, no correio dos leitores, dizia assim: "Sou jovem. Honesto, estudante. Trabalho, sou pago: eu pago os impostos, as letras, os juros, da casa, dos móveis, dos livros na estante, dos discos, dos filmes: Que hei-de fazer? Eu vou ao cinema, eu leio poemas, gosto de ler! Eu voto, eu escolho, eu olho nos olhos dos casos, dos factos, das coisas concretas: Eu não tomo drogas, não sou alcoólico! Eu estou preocupado e um pouco dorido ao ver que em várias revistas adultos, ministros, artistas, nas entrevistas da tv, demonstram que os jovens são brutos, boémios, incultos, autistas, não têm emprego, ou são arrivistas e mal educados: são tão depressivos, são tão destrutivos, que hei-de fazer? Com 23 anos já não faço planos: para quê fazer? Eu vivo da esperança na vaga mudança que nunca vai acontecer: Eu não tomo drogas, não sou alcoólico!"

João Paulo Simões
(Quinteto Tati)




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Wednesday, October 19, 2005
Chuva de Verão
Quando saí à rua
erguendo com uma mão o guarda-chuva
e apoiando a outra na tua cintura
quando saímos à rua e o recorte nocturno
dos barcos estacionados na ria
formava o cenário perfeito
para o plano final de um filme
ou para o começo de uma aventura
enquanto me fui confundindo
entre a inevitabilidade da partida
e a aproximação perigosa do teu corpo
enquanto a chuva nos abrigava
do abismo incalculável da noite
um homem solitário
encostado à ombreira de um restaurante
fumava um cigarro e olhava a nossa coreografia
e pensava que um dia mais tarde
a roda da fortuna mudaria as peças de lugar
e eu deixaria de existir
ou então existiria solitariamente
encostado àquela ombreira
e seria ele a apoiar a mão na tua cintura.


Posted at 10:53 am by Astrophel

Name
September 4, 2008   07:02 PM PDT
 
Parece que assim foi... quantos homens solitários e quantas cinturas!
Amélia
October 20, 2005   08:41 AM PDT
 
Continuo a gostar do que escreves, amigo.Continua.Eu vou passando por aqui de vez em quando.Um abraço
Ln
October 19, 2005   03:25 PM PDT
 
Este poema é especialmente bonito...Agora que o Outono pintou as paisagens de uma melancolia quase mágica, estas palavras provocam-me uma insustentável nostalgia*
 

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