Entry: chidori (raikiri) Monday, July 11, 2005



lentamente o tempo de tempestade surge detrás das cortinas,
no calor que a terra anuncia nesses afrontamentos de menopausa
precoce, o tempo de tempestade que afasta os pássaros em
movimentos teleguiados de controlo remoto,
de carro a pilhas movido por cordas e roldanas e díodos de luz.
aos díodos de luz chamemos de LEDs, é este o seu nome
técnico e voltemos ao tempo de tempestade que as cortinas
deixam já antever, por entre também um certo céu rubro,
alaranjado, mecânico no seu vago acto de esconder o sol
numa penumbra desértica.
lentamente
o tempo de
tempestade surge por entre o chilrear dos pássaros
num susto de frutos e de flores volantes e vivas de cores e sabores
alheios aos homens. são talvez os relâmpagos que o chilrear dos pássaros
corta em pequenas fatias de luz,
frutos celestes mas ao mesmo tempo tão térreos como
as árvores e os prédios,
abatendo-se sobre as árvores e sobre os prédios,
os edifícios ofuscantes de deus ou outra ideia divina qualquer
(chamemos-lhe LEDs, é este o seu nome
técnico)

   4 comments

Amélia
October 20, 2005   08:48 AM PDT
 
msesmo tardiamente, venho dizer que me agradou muito este teu poema.Continua a prsentear-nos assim.Beijo
Soledade
July 30, 2005   03:43 AM PDT
 
Pedro, desculpa, troquei os nomes, não os poetas. Nem os santos :)Beijo
groze
July 25, 2005   03:49 PM PDT
 
* PEDRO, não Paulo... os Santos são no mesmo dia, mas há ainda assim ligeiras diferenças...
Soledade
July 23, 2005   11:55 AM PDT
 
Paulo, que belo poema! O cruzamento do universo da banda desenhada com o da tecnologia e com o tradicional material lírico e mítico. Tens imagens, no poema, de um fulgor, de uma capacidade sugestiva! E uma melodia que nos agarra. Excelente, na minha opião. E de uma modernidade poética!
Ah, tempo da tempestade está já sobre nós.

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