Entry: city of apostates Monday, September 26, 2005



largo o carro numa colina qualquer, como se me quisesse desfazer dos seus cheiros e do dinheiro que gastei sobretudo em combustível e dentro do carro largo todos os documentos que me reconhecem
cidadão
de algum lugar. da colina avisto a cidade e o carro avança desocupado pela encosta em direcção a lugar nenhum. desocupado e no entanto cheio de mim enquanto cidadão de um sítio qualquer e de uma série de memórias pela encosta, rolando com alguma velocidade de encontro a um sítio de escombros e sombras de nada.
a cidade está vazia de tudo e de pessoas também. está vazia. é um templo deserto de estátuas e emoções que nunca se desenvolveram para lá de umas luzes estranhas sobre as portas dos bares, quando anoitece. todos os corpos na cidade são como gárgulas nas janelas dos prédios, anunciando aos carros que resvalam desocupados de tudo pelas encostas da colina em direcção a um pomar de esquecimentos e de álcool etílico ou não quais os benefícios do sono e do esquecimento
e de dentro do álcool os carros desocupados observam o
cidadão
de algum lugar a nascer de novo e a passar por gabinetes e guichets e notários e cartórios em busca de papéis que o definam novamente enquanto
Eu
maiusculado.

   0 comments

Leave a Comment:

Name


Homepage (optional)


Comments