Entry: No tempo em que brincávamos entre as trevas Tuesday, October 11, 2005



 

Era esse o momento

de uma brisa inesperada

de uma oscilação repentina na órbita circular

dos corpos

porque tu falavas a voz grave

de outros homens eternamente tristes

que não eram eu

nem tu

mas que nos consumiam

como se de facto existissem em nós

porque também na minha boca

faltavam palavras

exactas

coerentes

quando construía frases soltas que pretendiam dizer

não sei o quê

talvez absolutamente nada

mas e enfim

que haveria eu de responder

à falta de objectividade

ao absurdo

se brincávamos entre as trevas em ascensão

de uma ou outra distopia

se nos intervalos mínimos desse jogo colectivo

continuava o ruído

continuava a quebra de sentido

e a facilidade de uma brisa

inesperada.

 

 

   4 comments

mb
October 15, 2005   11:37 PM PDT
 
Até que enfim, habemus poeta de novo. É preciso ter fé para se clicar "cem" vezes à procura de um poema como este, na certeza de que surgirá. O pousio dá poemas bons, e este, folgado (também de fôlego), na sua melhor forma.
Sara do colar poderoso
October 12, 2005   06:16 PM PDT
 
Gostei muito. Não, gostei bastante. Aliás, gostei mesmo imenso.
Vou continuar atenta, nesta minha descoberta de todos e cada um de voçês.
Soledade
October 11, 2005   09:32 PM PDT
 
Que bom voltar a ler-te, Paulo.
Ln
October 11, 2005   05:38 PM PDT
 
Gosto muito de te ler...Gosto deste "momento/de uma brisa inesperada" que provoca uma agradável "oscilação repentina" na minha rotina. (Rima!!!!) :) *()*

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