Entry: Chuva de Verão Wednesday, October 19, 2005



Quando saí à rua
erguendo com uma mão o guarda-chuva
e apoiando a outra na tua cintura
quando saímos à rua e o recorte nocturno
dos barcos estacionados na ria
formava o cenário perfeito
para o plano final de um filme
ou para o começo de uma aventura
enquanto me fui confundindo
entre a inevitabilidade da partida
e a aproximação perigosa do teu corpo
enquanto a chuva nos abrigava
do abismo incalculável da noite
um homem solitário
encostado à ombreira de um restaurante
fumava um cigarro e olhava a nossa coreografia
e pensava que um dia mais tarde
a roda da fortuna mudaria as peças de lugar
e eu deixaria de existir
ou então existiria solitariamente
encostado àquela ombreira
e seria ele a apoiar a mão na tua cintura.

   4 comments

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September 4, 2008   07:02 PM PDT
 
Parece que assim foi... quantos homens solitários e quantas cinturas!
Soledade
October 20, 2005   11:34 PM PDT
 
Uau! Esta alegria de ler um poema que nos "enche as medidas"!
Amélia
October 20, 2005   08:41 AM PDT
 
Continuo a gostar do que escreves, amigo.Continua.Eu vou passando por aqui de vez em quando.Um abraço
Ln
October 19, 2005   03:25 PM PDT
 
Este poema é especialmente bonito...Agora que o Outono pintou as paisagens de uma melancolia quase mágica, estas palavras provocam-me uma insustentável nostalgia*

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