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    <title>Ossa et Cinera</title>
    <link>http://ossaetcinera.blogdrive.com/</link>
    <description>Ossa et Cinera</description>
    <lastBuildDate>Fri, 24 Mar 2006 04:10:00 PST</lastBuildDate>
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    <copyright>Copyright 2006.</copyright>
    <category>Arts</category>
    <category>Writing</category>
    <category>Poetry</category>
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      <title>Consideração espaço-temporal</title>
      <link>http://ossaetcinera.blogdrive.com/archive/163.html</link>
      <pubDate>Fri, 25 Nov 2005 12:15:19 GMT</pubDate>
      <description>parada, observa, num banco de jardim, comendo um bolo de arroz,
três ou quatro pássaros acastanhados que debicam qualquer coisa
vermelha como um órgão
(talvez um fígado, independemente das descrições ao longo das aulas de ciências naturais e afins)
e juntamente com pedaços disso, algumas formigas que se passeiam por ali.
observa sem se mover os olhos negros dos pássaros, as cabeças de lado
dos pássaros, debicando pedaços de coisa
coisa vermelha como um bocado de ser
uma cabeça ou um cérebro,
um feto
(fetos como os de outros textos ou não)
e adquirindo de uma massa mais ou menos comestível... (more)</description>
      <comments>http://ossaetcinera.blogdrive.com/comments?id=163</comments>
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      <title>ornitorrinco</title>
      <link>http://ossaetcinera.blogdrive.com/archive/162.html</link>
      <pubDate>Fri, 28 Oct 2005 12:13:21 GMT</pubDate>
      <description>nada mais que um dedo sobre a mesa contra uma parede resta
e que aponta esse dedo
um caminho
não obstante o que já se fez
ou o que se deixou de fazer.
um animal bebé
um feto
rouxo 
róseo
um dedo pequeno
entre a mesa e a parede
o hematoma a nódoa
o nojo
o caminho aberto sobre os olhos
sobre as mesas entre as paredes
da alma
o dedo magoado aponta um caminho
mais ou menos estranho e mais ou menos difícil.
por entre os cabelos ossos e cinzas
ossa
et
cinera
de facto.

obiit die.</description>
      <comments>http://ossaetcinera.blogdrive.com/comments?id=162</comments>
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      <title>As divindades</title>
      <link>http://ossaetcinera.blogdrive.com/archive/160.html</link>
      <pubDate>Wed, 19 Oct 2005 10:58:27 GMT</pubDate>
      <description>As divindades choravam lágrimas ígneas

junto ao berço sideral do mundo

e os homens recém-nascidos

incapazes de compreender o efeito

irreversível das fúrias momentâneas

construíam bombas

e erguiam torres de Babel gigantes.


As divindades esperavam por um oráculo 

que diagnosticasse com exactidão

a crónica disfuncionalidade das espécies

e entretanto embalavam o berço sideral do mundo

entre convulsões e espasmos de loucura.


</description>
      <comments>http://ossaetcinera.blogdrive.com/comments?id=160</comments>
    </item>
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      <title>Chuva de Verão</title>
      <link>http://ossaetcinera.blogdrive.com/archive/159.html</link>
      <pubDate>Wed, 19 Oct 2005 10:53:35 GMT</pubDate>
      <description>Quando saí à rua 
erguendo com uma mão o guarda-chuva 
e apoiando a outra na tua cintura
quando saímos à rua e o recorte nocturno
dos barcos estacionados na ria
formava o cenário perfeito 
para o plano final de um filme
ou para o começo de uma aventura 
enquanto me fui confundindo 
entre a inevitabilidade da partida
e a aproximação perigosa do teu corpo
enquanto a chuva nos abrigava
do abismo incalculável da noite 
um homem solitário 
encostado à ombreira de um restaurante
fumava um cigarro e olhava a nossa coreografia
e pensava que um dia mais tarde 
a roda da fortuna mudaria as peças de... (more)</description>
      <comments>http://ossaetcinera.blogdrive.com/comments?id=159</comments>
    </item>
    <item>
      <title>No tempo em que brincávamos entre as trevas</title>
      <link>http://ossaetcinera.blogdrive.com/archive/158.html</link>
      <pubDate>Tue, 11 Oct 2005 13:13:17 GMT</pubDate>
      <description> 
Era esse o momento
de uma brisa inesperada
de uma oscilação repentina na órbita circular
dos corpos
porque tu falavas a voz grave
de outros homens eternamente tristes
que não eram eu
nem tu
mas que nos consumiam
como se de facto existissem em nós 
porque também na minha boca 
faltavam palavras
exactas
coerentes
quando construía frases soltas que pretendiam dizer 
não sei o quê
talvez absolutamente nada
mas e enfim
que haveria eu de responder
à falta de objectividade
ao absurdo
se brincávamos entre as trevas em ascensão
de uma ou outra distopia 
se nos intervalos... (more)</description>
      <comments>http://ossaetcinera.blogdrive.com/comments?id=158</comments>
    </item>
    <item>
      <title>a um estranho desconhecido</title>
      <link>http://ossaetcinera.blogdrive.com/archive/157.html</link>
      <pubDate>Tue, 27 Sep 2005 12:19:26 GMT</pubDate>
      <description>ocorre-me, por exemplo, Herberto Helder

Passeiam pela rua mastigando a língua e sobre a língua
uma colher lembrando as estações do ano que passam
umas sobre as outras
e logo sobre a língua mal seja o tempo
de as estações passarem sobre a língua
mastigada que passeia pelas ruas olhando estátuas em jardins
que olham de volta e depois novamente
para as estações a crescer nos seus umbigos de gesso.


Passeiam pelas estações mastigando a colher na boca e na língua
e olham a cidade que devolve os olhares das estátuas de gesso
nos umbigos dos parques e nas malas de mão das senhoras
que leram... (more)</description>
      <comments>http://ossaetcinera.blogdrive.com/comments?id=157</comments>
    </item>
    <item>
      <title>city of apostates</title>
      <link>http://ossaetcinera.blogdrive.com/archive/156.html</link>
      <pubDate>Mon, 26 Sep 2005 16:02:18 GMT</pubDate>
      <description>largo o carro numa colina qualquer, como se me quisesse desfazer dos seus cheiros e do dinheiro que gastei sobretudo em combustível e dentro do carro largo todos os documentos que me reconhecem

cidadão

de algum lugar. da colina avisto a cidade e o carro avança desocupado pela encosta em direcção a lugar nenhum. desocupado e no entanto cheio de mim enquanto cidadão de um sítio qualquer e de uma série de memórias pela encosta, rolando com alguma velocidade de encontro a um sítio de escombros e sombras de nada.

a cidade está vazia de tudo e de pessoas também. está vazia. é um templo... (more)</description>
      <comments>http://ossaetcinera.blogdrive.com/comments?id=156</comments>
    </item>
    <item>
      <title>Acordar</title>
      <link>http://ossaetcinera.blogdrive.com/archive/155.html</link>
      <pubDate>Wed, 07 Sep 2005 14:03:03 GMT</pubDate>
      <description> 
A cara colada ao lençol
 
mas há a luz e a comoção exterior a preencherem 
a vacuidade do quarto.  
 
é uma sensação estranha acordar assim quase sem vida 
quase esgotado com a quase certeza de que não existe 
realidade e o que lá tentamos colocar não faz sentido.
 
O corpo a despregar-se da cama
 
enquanto os automóveis buzinam em harmonia com o piano imaginário 
talvez real de uma mão que ficou presa às teclas a esta distância
do mundo parece Liszt os segundos iniciais de Prelude &amp;amp; Fugue 
on B-A-C-H  o piano em sintonia como os automóveis enquanto 
o autocarro das oito... (more)</description>
      <comments>http://ossaetcinera.blogdrive.com/comments?id=155</comments>
    </item>
    <item>
      <title>...</title>
      <link>http://ossaetcinera.blogdrive.com/archive/154.html</link>
      <pubDate>Fri, 15 Jul 2005 20:34:19 GMT</pubDate>
      <description>


 
“e, então, pousavas os talheres paralelamente 
sobre o prato e dizias:
‘visar à vida boa com e para os outros nas instituições justas’
repetias frases sobre as éticas modernas e o colapso moral e amavas 
Ricouer como os amantes de agora amam o rosto do infinito 
e, então, eu pegava na caneta preta
sempre uma caneta preta
e começava a escrever na folha de papel 
que cobria a mesa destes sítios onde nos íamos perdendo
destes sítios onde nos encontrávamos com a regularidade 
dos amantes inconscientes do tempo que passa 








escrevia



no silêncio das tuas frases... (more)</description>
      <comments>http://ossaetcinera.blogdrive.com/comments?id=154</comments>
    </item>
    <item>
      <title>chidori (raikiri)</title>
      <link>http://ossaetcinera.blogdrive.com/archive/153.html</link>
      <pubDate>Mon, 11 Jul 2005 01:05:08 GMT</pubDate>
      <description>lentamente o tempo de tempestade surge detrás das cortinas,

no calor que a terra anuncia nesses afrontamentos de menopausa

precoce, o tempo de tempestade que afasta os pássaros em

movimentos teleguiados de controlo remoto,

de carro a pilhas movido por cordas e roldanas e díodos de luz.

aos díodos de luz chamemos de LEDs, é este o seu nome

técnico e voltemos ao tempo de tempestade que as cortinas

deixam já antever, por entre também um certo céu rubro,

alaranjado, mecânico no seu vago acto de esconder o sol

numa penumbra desértica.

lentamente

o tempo de

tempestade surge... (more)</description>
      <comments>http://ossaetcinera.blogdrive.com/comments?id=153</comments>
    </item>
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